2.21.2010

do amor

às minhas duas filhas


... e ela disse que eu vos amava porque vocês são uma extensão de mim, como se o meu corpo e tudo o que eu sou se dilatasse, se estendesse, desdobrado nas duas que sois, e completo nas duas que sois, como se eu fosse com vocês um espaço contido em limites, como se eu fosse um tempo que não expirasse com a minha morte. e eu não consegui dizer que não mas é não. o meu amor por vós tem o fundamento da vossa estranheza, das vossas dores e fragilidades__ que não são minhas, da vossa inocência e esperança__ que não são minhas, da vossa beleza e encanto__ que não são meus. e é imenso. desmesurado. às vezes maior do que as minhas forças e competências. e o amor, esse amor, nasce de um dom que eu tenho e que não vou perder. um dom que se revelou face à vossa estranheza. de vos querer servir bem no amor. de vos dar o que sei ___ e às vezes até a minha ignorância. de vos dar cuidados e beijos. até à exaustão. até parecer que me extingo. e em dias bons, e são muitos os dias bons, até parecer que sou feliz.
o que é meu é só esse amor, não vós.

3 Comments:

Blogger Elipse said...

igual em tudo o amor das mães.

12:47 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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9:26 da tarde  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

"um dom que se revelou face à vossa estranheza. de vos querer servir bem no amor."

Vénus amantissima et generosa.

(como a da Carmina Burana)

És tu.


csd

1:18 da tarde  

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